
As eleições europeias podem ter sido a pedrada no charco, que a política severamente reclama. O charco existe. Veremos se a pedrada teve a potência suficiente para o agitar.
Na ótica de um advogado o que mais preocupa é a manutenção do primado da justiça e dos direitos. Para que prevaleçam, a justiça e os direitos, tem de haver paz, desenvolvimento e coesão social. Mas para que a paz e a coesão social prevaleçam é necessário que haja vontade férrea, projetos mobilizadores e competência na ação. Aquilo a que se tem assistido no rescaldo da noite eleitoral é pungente. Quem teve a vitória mínima exigível, celebra como se tivesse atingido o paraíso. Quem teve a mais dura derrota, alega que, outros, antes, foram também desfeiteados em eleições similares e depois dispararam de rompante para a maioria absoluta. Quem teve mais um deputado, alegra-se como se tivesse atravessado uma coisa tipo Rubicão. Quem quase desapareceu de cena, defende-se, balbuciando que, apesar da catástrofe, cumpriu os serviços mínimos, mantendo uma unidade em campo.
No meio de tudo isto os cidadãos, por atos (os votos) mas sobretudo por omissões (a brutalidade da abstenção), mostraram desprezo pelo assunto em compita e afastamento do projeto Europeu. Pudera: é que se esse projeto tem valido a paz, tem, igualmente, pactuado com políticas violentíssimas, que agridem as pessoas, retirando-lhes nível e qualidade de vida, esperança, sonho e perspetivas.
A situação exige que se fale a sério, sobre o que vai ser o futuro dos nossos países e do nosso continente. Como advogado, repito-o, preocupa-me a integridade dos direitos, a qualidade da justiça, o desenvolvimento, o estado social, a subsistência da assistência na doença e na velhice, para que possamos continuar a chamar ao nosso mundo um mundo civilizado. Os cidadãos vivem os ferozes malefícios da dívida. Aos políticos já rareia (sequer) o benefício da dúvida. É triste ver os debates pós eleitorais enrolados em torno de frases feitas, slogans e similares, totalmente alheios às causas das coisas e às causas que devem ser abraçadas, por serem capazes de mobilizarem os povos. É necessária uma grande mudança.
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